Os motoristas de veículos pesados têm uma petição aberta para que a profissão seja considerada uma atividade de desgaste rápido. Entre as reivindicações, o foco principal centra-se na antecipação da idade de reforma por cada cinco anos de descontos. A petição já conta com mais de 17 mil assinaturas online e já foi apresentada aos partidos pelos representantes da Cimeira de Motorista na Assembleia da República.

José Flores, porta-voz da Cimeira de Motoristas que opera no serviço nacional, considera que a antecipação da reforma se trata, fundamentalmente, de uma questão de "segurança".

 José Flores tem 45 anos, é motorista há 22, e quer alertar os partidos para a perda de algumas faculdades com a idade, como a atenção e os reflexos, fatores determinantes no dia a dia de um motorista de pesados.

Explica que os motoristas não são "turistas pagos", trabalham sobre grande pressão para cumprir os prazos que o mercado exige, disse. "Somos monitorizados constantemente (...), se eu parar para ir à casa de banho o meu telefone vai tocar". Cada minuto é precioso, garantiu.

Segundo a petição, os motoristas de pesados são a classe profissional com os números mais "assustadores" no que diz respeito a perda de vidas no exercício da profissão. "Porém, as estatísticas são enganadoras, pois os acidentes de trabalho envolvendo motoristas são maioritariamente considerados como acidentes de viação, não contando assim para as estatísticas dos acidentes de trabalho", lê-se na petição. Segundo José Flores, isso acontece porque as multas por acidente de trabalho envolvem valores mais elevados, o que obrigaria as seguradoras a pagar mais às famílias das vítimas.

O stress provocado pelo cumprimento dos prazos e o elevado desgaste a que o setor está sujeito são as causas invocadas para as tragédias que matam motoristas e outros circulantes. Além da pressão que sentimos, "é o facto de sabermos que temos nas nossas mãos uma máquina assassina", contou.

Mas não só. Entre os números "negros" de motoristas que morrem no exercício da profissão, estão também aqueles que são vítimas de assaltos enquanto estão parados ou no período de descanso. Para que os motoristas não se apercebam do assalto é usado um gás que, quando ingerido em excesso, pode levar à morte.

"Vários motoristas portugueses já tiveram que lidar com essa situação traumática e muitos infelizmente mais do que uma vez. Existem relatos de motoristas que ficaram com mazelas graves ou faleceram devido a doses elevadas de gás", lê-se na petição.

Carga horária supera outros setores

De acordo com a petição, "um trabalhador do setor privado teria que trabalhar até aos 50 anos para ter o mesmo número de horas que um motorista tem aos 40 anos. Já um trabalhador do setor público teria que trabalhar até aos 57 anos".

José Flores conta que só este ano já fez mais de 150 horas extraordinárias, e o ano passado fez mais de 500 horas extraordinárias, mais 300 do que o limite previsto na lei - números que pode comprovar através dos seus registos, garantiu.

A quantidade de horas que um motorista trabalha, além de não permitir passar tempo com a família e resultar em alimentações não saudáveis e desregulação do sono, supera as horas de trabalho de outros setores e não permite um horário fixo. Os motoristas de veículos de pesados chegam a fazer até 15 horas diárias e muitas vezes não sabem quando poderão regressar a casa, contou José Flores. "Não podemos acompanhar os nossos filhos", lamentou.

Coimas elevadas

Além da quantidade de horas que os motoristas passam na estrada, causadoras de grande "desgaste emocional e físico", também trabalham com a "pressão" constante de ter de registar todos os seus movimentos no tacógrafo - aparelho que monitoriza a atividade do motorista -, sob prejuízo de pagar elevadas coimas, lê-se na petição.

"O motorista, se sair do camião para abastecer a viatura deve comutar o tacógrafo na posição de outros trabalhos, se for almoçar comutar o tacógrafo na posição de descanso, são várias as situações durante o dia em que temos de alterar e registar de forma manual no tacógrafo. Uma boa parte desses situações de registo em nada interfere com a segurança do veículo ou de terceiros, um simples destes esquecimentos é penalizado com uma coima que pode em muito superar o salário do motorista".

Ainda não existe uma data para a petição ser entregue. A Cimeira de Motoristas, proponente desta petição, nasceu da união de diversos grupos de motoristas nacionais e internacionais.

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O stress provocado pelo cumprimento dos prazos e o elevado desgaste a que o setor está sujeito são as causas invocadas para as tragédias que matam motoristas e outros circulantes. Além da pressão que sentimos, "é o facto de sabermos que temos nas nossas mãos uma máquina assassina", contou.

Mas não só. Entre os números "negros" de motoristas que morrem no exercício da profissão, estão também aqueles que são vítimas de assaltos enquanto estão parados ou no período de descanso. Para que os motoristas não se apercebam do assalto é usado um gás que, quando ingerido em excesso, pode levar à morte.

"Vários motoristas portugueses já tiveram que lidar com essa situação traumática e muitos infelizmente mais do que uma vez. Existem relatos de motoristas que ficaram com mazelas graves ou faleceram devido a doses elevadas de gás", lê-se na petição.

Carga horária supera outros setores

De acordo com a petição, "um trabalhador do setor privado teria que trabalhar até aos 50 anos para ter o mesmo número de horas que um motorista tem aos 40 anos. Já um trabalhador do setor público teria que trabalhar até aos 57 anos".

José Flores conta que só este ano já fez mais de 150 horas extraordinárias, e o ano passado fez mais de 500 horas extraordinárias 

Fonte:JN

https://www.jn.pt/nacional/motoristas-de-pesados-querem-estatuto-de-profissao-de-desgaste-rapido-14882347.html

Assina a petição em: https://peticaopublica.com/mobile/pview.aspx?pi=PT111570